batalha Márcio Gomes

As Batalhas de Confete, festas pré-carnavalescas realizadas aos finais de semana, nas proximidades do Carnaval, começaram a ser organizadas na cidade do Rio de Janeiro a partir das primeiras décadas de 1900. Criadas no auge da popularidade do confete, uma novidade importada da França em 1892, essas festas aconteciam nas ruas, que se enfeitavam e recebiam foliões que cantavam e dançavam até o amanhecer.

Em depoimento ao jornalista João Medeiros, Antônio Coury afirma ter sido ele o introdutor da batalha de confete em Juiz de Fora, realizando a primeira delas, em 1937 ou 1938, na Rua Marechal Deodoro. Já segundo o jornalista Arides Braga, as primeiras batalhas de confete foram organizadas por Valentim Dilly II, sendo a primeira delas na Rua Paulo de Frontin. Dilly, que também era jornalista, foi quem trouxe para Juiz de Fora o “Bloco do Eu Sozinho”, fazendo críticas a fatos e personalidades da cidade. Independentemente de quem foi o realizador da primeira batalha, a verdade é que Antônio Coury, mais conhecido como “folião Coury”, tornou-se o responsável pelo sucesso da iniciativa, participando intensamente do carnaval de nossa cidade e colaborando na realização de outras batalhas de confete. Coury chegou a realizar, por volta de 1942, uma batalha dentro do campo do Tupy Football Club, com grande sucesso.

Além das batalhas da Rua Marechal, podemos citar aquelas que eram realizadas na Rua Halfeld, comandadas por José Lima Dias, Alcides e Cecílio Sampaio; a batalha de São Mateus, realizada pelo Capitão Afonso Botti; a batalha do Bonfim, sob responsabilidade de Jamil Solon e Godofredo Botelho; a batalha de Benfica, liderada por Manoel Rosa. Devem também ser lembradas as batalhas da Rua Dom Silvério, da Avenida Getúlio Vargas, da Rua Batista de Oliveira e dos bairros Costa Carvalho, Vitorino Braga, Cachoeirinha e Mariano Procópio. Em 1941, já existia uma verdadeira escala de batalhas, realizada com o apoio dos Diários Associados, que começava na Rua Dom Silvério, vinha para São Mateus, Costa Carvalho, Avenida Sete de Setembro, Mariano Procópio, Bonfim e assim por diante.

Um júri escolhido pelo organizador da batalha avaliava quesitos como bateria, harmonia, bailado, disciplina, etc. Mas o ponto alto era o duelo entre os improvisadores das duas principais agremiações, a Turunas do Riachuelo e a Feliz Lembrança: a comissão julgadora dava um tema e os sambistas tinham que improvisar versos, numa demonstração de talento e agilidade mental. Entre os principais improvisadores, podemos citar Biné, Itamar Itabirano, Paulo Messias, Camarão, Cocada e Oceano Soares pela Turunas; e Djalma, Praxedes e Danilo Soares pela Feliz Lembrança. As batalhas de confete foram também palco de muitos conflitos corporais, ocasionados pela paixão dos sambistas por suas agremiações. A briga mais famosa aconteceu em 1947, na batalha de confete do bairro Mariano Procópio. Segundo depoimento de Ministrinho, o sambista Santinho, da Feliz Lembrança, chuchou-o com uma bandeira de sua agremiação; o turunense Tonicão não gostou e partiu em defesa de Ministrinho: o resultado foi uma briga generalizada, que entrou para a história do nosso Carnaval.

Cabe destacar que a existência de diversas batalhas de confete na cidade fazia com que cada agremiação apresentasse cerca de dez ou mais sambas para os diversos encontros, situação diferente da atual, quando é composto um único samba-de-enredo para o desfile de carnaval. Dessa forma, as batalhas de confete deram significativa contribuição para o enriquecimento da produção musical local, permitindo que, a cada ano, diversos compositores pudessem ter seus sambas cantados pela população.