concurso_marchinhasMárcio Gomes

A Funalfa e a Comum – Cooperativa da Música de Minas promoverão no próximo dia 1º de fevereiro, domingo, a 5ª edição do Concurso de Marchinhas Carnavalescas de Juiz de Fora, que este ano homenageará o compositor Nilton Cocada. O evento acontecerá oitenta anos após a realização do primeiro concurso de músicas carnavalescas de Juiz de Fora, no dia 15 de fevereiro de 1935, no Cine Theatro Central, segundo o historiador Walter Fonseca. Esse primeiro concurso foi uma iniciativa do Centro Excursionista de Juiz de Fora, associação civil fundada em 10 de abril de 1932, que atuou intensamente durante a década de 1930 nas áreas social, literária e esportiva.

Embora o Diário Mercantil do dia 13 de fevereiro anunciasse quatorze músicas concorrentes, o historiador Walter Fonseca, que foi um dos fundadores do Centro Excursionista, registrou que participaram efetivamente daquela disputa doze canções de autores locais, sendo nove marchas e apenas três sambas. Essa inferioridade numérica do gênero samba mostra que, naquela época, o ritmo ainda estava se consolidando em nossa cidade. Na categoria de marchas, o primeiro lugar ficou com a composição “Juiz de Fora”, de autoria do maestro Reynaldo de Barros e letra do poeta e jornalista José Alves Júnior, cabendo o segundo lugar para “Mulata do Pito Aceso”, com música e letra de Ernesto Emmel. Já no gênero samba, a primeira colocação foi para “Louras ou Morenas”, com música e letra do conjunto Turma do Além, ficando a composição Evohé, de autoria não especificada, no segundo lugar. A comissão julgadora foi constituída pelas seguintes personalidades: Maurício Duarte (médico), Jarbas de Lery Santos (jornalista), Alencar Medeiros (comerciante), Sylvio Machado (universitário), Norberto Pinto (bancário), Camilo Simão Sffeir(industrial), José Werneck (bancário), Vicente Peixoto (industrial) e Francisco Salles de Oliveira (advogado e professor).

A título de curiosidade registre-se que dias antes havia sido realizado o concurso oficial no Rio de Janeiro, no Theatro João Caetano, e a marcha “Cidade Maravilhosa”, de André Filho, ficou em segundo lugar, perdendo para “Coração Ingrato”, de Nássara e Frazão. Entretanto, “Cidade Maravilhosa” caiu no gosto popular e tornou-se um clássico, sendo considerado desde agosto de 2003 o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro, conforme Lei nº 3.611/2003.