alfredo toschi 001 por Márcio Gomes

No final do século XIX, chegavam em Juiz de Fora o alfaiate italiano André Toschi, sua esposa Cezira e os filhos Bruno e Remo. Instalando-se em Juiz de Fora no largo do Riachuelo, tiveram mais nove filhos, devendo ser lembrados especialmente os irmãos Américo, Alfredo e Armando, que desde cedo demonstraram pendor musical. Em 1928, os irmãos, liderados por Remo, participaram da fundação do rancho carnavalesco “Quem São Eles?”, que abrigava os “baetas”, atletas e simpatizantes do Tupynambás Football Club; em 1932 criaram o bloco “Feito com Má Vontade” e finalmente, em 1934, por sugestão de Oceano Soares, transformavam o bloco na primeira escola de samba de Minas Gerais, a Turunas do Riachuelo.

No início, a recém-criada agremiação desfilava cantando sambas que faziam sucesso nas rádios cariocas. Mas não tardou para que Alfredo Toschi resolvesse se arriscar como compositor, tendo feito o samba “Sorri”, o primeiro samba local cantado pela Turunas em seus desfiles. Daí em diante, Alfredo tornou-se o principal compositor da Turunas: entre suas mais marcantes obras podemos citar “Samba no Salgueiro”, “Não Faz Mal”, “Não se Deve Chorar”, “Vou pra Orgia”, “Vou à Penha”, “Da Vida Nada se Leva”, “A Vida Tem Três Andares”, “Onde Estás, Felicidade?”, entre tantos outros. Essa intensa produção musical durou até 1940, quando ele mudou para São Paulo, onde ficou por alguns anos. Seu irmão caçula Armando, que entrou para a história da música juiz-forana com o apelido de Ministrinho, assumiu a partir daí a direção musical da Turunas, tornando-se seu principal nome, como ensaiador, diretor de harmonia e também compositor. Ministrinho fundou nessa oportunidade o regional Turunas do Riachuelo, mais tarde chamado Conjunto do Ministrinho, que durante mais de 50 anos foi o grande responsável pela preservação das músicas dos compositores de nossa cidade: em seu repertório estavam sempre músicas de Alfredo Toschi, Ernani Ciuffo, Nilton Cocada, Djalma de Carvalho, Danilo Soares, Nelson Silva, João Cardoso, além de músicas do próprio Ministrinho, autor de Nosso Ídolo (mais conhecida por Jairo), Último Abrigo e Homenagem a Catulo Cearense.

Em meados da década de 1950, Alfredo retorna a Juiz de Fora e volta a compor para a Turunas, sendo desta época as pérolas “Para o Que Der e Vier” e “Este É o Meu Crime”, em parceria com Camarão. Mesmo com o retorno de Alfredo, Ministrinho continuou como a principal figura da Turunas, dirigindo toda a parte musical. Os dois irmãos, detentores dos quinhões n° 01 e 02 da Turunas dos Riachuelo, continuaram por um bom tempo se dedicando ao samba de nossa cidade. Alfredo, que se afastou dos desfiles carnavalescos em 1966 e veio a falecer em 1984, podia ser visto no extinto Café Tropical, na esquina da galeria Azarias Vilela com a Rua São João, fumando seu cachimbo e bebendo uma pinguinha em uma xícara de café. Ministrinho, por sua vez, faleceu em 1996, mas até pouco antes de seu desaparecimento, participava ativamente da Turunas do Riachuelo e tocava em diversos espaços da cidade, inclusive na praça do Jardim Glória, que hoje leva seu nome. Ambos os irmãos deixaram um importante legado: contribuíram decisivamente para o fortalecimento do samba em nossa cidade, dando prosseguimento a uma semente plantada na década de 1930 pelo irmão Remo, italiano de nascimento e brasileiro por adoção.