ministrinho por Marcio Gomes

No dia 4 de maio de 1914 nascia na rua Silva Jardim, n° 238, o menino Armando Toschi, filho caçula dos italianos Andrea e Cezira Toschi. Quase vinte anos depois, no dia 15 de janeiro de 1934, Armando e seus irmãos, ao lado de amigos e vizinhos, fundavam em Juiz de Fora a Escola de Samba Turunas do Riachuelo. Foi a primeira escola de samba do Estado de Minas Gerais e é uma das mais antigas do Brasil em atividade: se considerarmos apenas as agremiações que desfilam nos grupos principais, somente Mangueira, Portela e Unidos da Tijuca a suplantam em longevidade. Se no início das atividades da Turunas foram seus irmão Remo e Alfredo que tomaram a dianteira dos trabalhos, Ministrinho tornou-se o pole position em 1940, quando Alfredo Toschi, por motivos pessoais, foi trabalhar em São Paulo, de onde só retornou no início da década de 1950. Da fundação em 1934 e de seu comando a partir de 1940, temos uma história de total devoção a uma agremiação carnavalesca, que durou até o falecimento de Ministrinho em 22 de dezembro de 1996.

Não há como falar em Turunas do Riachuelo sem lembrar de Ministrinho com seu cavaquinho e seu apito comandando a escola, seja nos desfiles, seja nas batalhas de confete. E não há como falar de Ministrinho sem lembrar de sua trajetória por toda a cidade durante décadas, empunhando seu violão, à frente de seu conjunto regional, cantando e divulgando pérolas musicais criadas por ele, por seu irmão Alfredo e por outros compositores turunenses como Ernani Ciuffo, Nilton Cocada, João Cardoso e Paulinho Messias.

Por isso, nada seria mais justo que em 2014, ano do centenário de Ministrinho e também do octogenário da Turunas do Riachuelo, sua escola de coração lhe prestasse a devida homenagem e reverenciasse seu nome. Infelizmente não é isso que acontecerá: os responsáveis pela agremiação, sem ter consciência da grandeza de Ministrinho dentro da história da escola e da música popular juizforana, optaram pelo enredo “Krambeck, a mata que virou jardim”.

Mas, em vez de nos limitarmos a lamentar esse desrespeito à figura daquele foi o mestre de várias gerações de músicos e sambistas juiz-foranos, devemos, sim, arregaçar as mangas e fazer a nossa parte, homenageando-o de todas as formas possíveis. Aqui em O Estandarte, daremos início a uma série de artigos relembrando a trajetoria de Ministrinho. Mais que reverenciar a figura de Armando Toschi, devemos mostrá-lo para as novas gerações, que não o conheceram, como um exemplo de amor e dedicação à cultura de nossa cidade.