ministrinho e itamar franco 001 Márcio Gomes e Jorge Sanglard

A solenidade de outorga do Título de Cidadão Benemérito Post-Mortem de Juiz de Fora, em celebração ao centenário do nascimento do compositor e instrumentista ARMANDO TOSCHI, o MINISTRINHO, acontece nesta quarta-feira, 17 de dezembro, às 19h30, no plenário da Câmara Municipal. O título foi proposto pelo vereador Wanderson Castelar, para quem homenagear o centenário de Ministrinho é reverenciar a memória de um personagem que dedicou sua vida à música e que fez de Juiz de Fora uma cidade mais feliz e alegre, com seus sambas.

Não há como falar das principais personalidades juiz-foranas sem citar a figura de Armando Toschi, o Ministrinho. Filho do casal de italianos Andrea Toschi e Cezira Toschi, ele foi o caçula em uma família de onze irmãos. Nasceu no dia 4 de maio de 1914, na Rua Silva Jardim, n° 238, em Juiz de Fora, três anos após seus irmãos mais velhos, Remo e Bruno Toschi, terem fundado o Tupinambás F.C..

Foi jogador do Tupinambás, de juvenil até titular, até 1933, quando ingressou na Cia. Mineira de Eletricidade, dadas as suas qualidades de jogador de futebol, para integrar o Esporte Clube Mineira, da segunda divisão. Foi de sua época de futebolista que veio o apelido que o acompanhou por toda a vida, dado por torcedores que compararam seu estilo ao do jogador Pedro Sernagiotto, craque do Palestra Itália, chamado de Ministrinho.

Trabalhou na Cia. Mineira de Eletricidade durante 36 anos, 4 meses e 4 horas, sem nunca ter faltado ao trabalho, como gostava de afirmar, tendo recebido à época de sua aposentadoria, duas congratulações da Câmara Municipal pelos relevantes serviços prestados (concedidas pelos vereadores Francisco de Paula Fonseca e Pedro Nagib Nasser).

Casou-se em 31 de julho de 1946 com Isabel Vieira Toschi, com quem teve dois filhos: Armando e Cesira. Viveram juntos durante 42 anos, quando Isabel faleceu.

Por suas atividades musicais, o nome de Ministrinho figura em lugar de destaque na história de Juiz de Fora. Aos oito anos de idade já “arranhava” o cavaquinho, influenciado por seus irmãos Remo, Américo e Alfredo, que possuíam um conjunto. Em sua casa foi fundado o rancho carnavalesco “Quem São Eles?” e o bloco “Feito com Má Vontade”, que deu origem, em 1934, à Escola de Samba Turunas do Riachuelo, a primeira de Minas Gerais. A partir daí, foi uma vida de total dedicação à música juiz-forana.

À frente da escola de samba ou do conjunto regional por ele criado em 1940, Ministrinho sempre pugnou pelo fortalecimento do carnaval juiz-forano e pela divulgação das obras dos compositores de nossa cidade, independentemente de qual agremiação pertencessem. Foi compositor, instrumentista, cantor, ensaiador, chefe de conjunto, tornando-se figura conhecida e respeitada em toda a cidade.

Ministrinho participou com seu conjunto do LP “Samba é Povo”, produzido em 1967 pela Prefeitura de Juiz de Fora sob a direção de José Carlos de Lery Guimarães, e do LP duplo “Música Popular em Juiz de Fora”, de 1981. Finalmente, gravou em 1996 o CD “Ministrinho, Nosso ídolo”, mas que só foi lançado após seu falecimento no dia 22 de dezembro de 1996.

Em 1970, recebeu o troféu Pequeno Jornaleiro, concedido pelos Diários Associados, por ter se destacado como personalidade na área de música popular no ano anterior. Daí em diante, foi por diversas vezes condecorado por sua atuação na música de Juiz de Fora, sendo agraciado em 1981 pela Prefeitura de Juiz de Fora com a Comenda Henrique Guilherme Halfeld, tendo recebido ainda, em 1994, a Ordem do Rio Branco, concedida pela Presidência da República. Após seu falecimento em 1996, foi homenageado em 2000 com a Medalha do Sesquicentenário de Juiz de Fora. E agora sua memória será reverenciada com a outorga do Título de Cidadão Benemérito Post-Mortem de Juiz de Fora.

Ministrinho marcou época e abriu caminho para muitos instrumentistas e compositores locais, que sempre foram por ele prestigiados, tornando-se um exemplo da autêntica música popular de Juiz de Fora.